António Dias Lourenço

 

«Às vezes éramos castigados, duramente. Por exemplo, um dos castigos foi estar um quarto de hora a ser espancado a cassetete por cinco guardas ao mesmo tempo, eu e mais um, estávamos treze, eu era o número dois, foi um castigo que nos foi dado por causa dum protesto que fizemos. Queixámo-nos cá para a rua “temos fome, queremos visitas, temos fome, queremos visitas, temos fome”, isto em Peniche, e como eu era o número dois, havia a cela número um, cela número dois, número três … eu é que comecei, era o preso mais destacado, eu é que comecei a gritar, pronto começou por mim. Quase um quarto de hora a ser espancado por cinco guardas a cassetete, depois saiu de mim e avançou para o seguinte, foram treze (…).»

 

In Vidas na Clandestinidade, Ed. “Avante”, 2011