Projeto do Museu

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Criação do Museu Nacional Resistência e Liberdade

Desde de 27 de abril de 1974, data da libertação dos presos políticos, que a Fortaleza de Peniche se afirmou como símbolo da Resistência e da luta pela Liberdade. Por essa razão decidiu-se preservar a integridade deste edificado histórico, militar e prisional, através de um projeto de musealização.

O Conselho de Ministros, realizado na Fortaleza de Peniche a 6 de maio de 2017 pelo XXI Governo Constitucional, determinou a criação de um Museu Nacional, neste local que, ao preservar a memória de 48 anos de supressão das liberdades em Portugal, perpetuará uma reflexão essencial à construção do futuro.

CICAM – Guião dos conteúdos do Museu Nacional Resistência e Liberdade

Despacho n.º 998/2018 – Criação da Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica – CICAM

Contributos do CITEM no âmbito da CICAM

Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/2017 

Museu Nacional Resistência e Liberdade – Programa Museológico

Despacho n.º 9667/2018 – Cria o Comité Executivo do Museu de Peniche (CEMP)

 

 

Projeto de arquitetura do Museu Nacional Resistência e Liberdade

Atelier AR4, Arquitectura Lda – arquitecto coordenador, João Barros Matos

A ideia de museu materializa-se na sobreposição de três tempos: o tempo da fortaleza, o tempo da prisão política e o tempo atual, do museu, com o reconhecimento da importância da salvaguarda e conservação do conjunto no seu todo. Conservar, adaptar e construir de novo são ações complementares, parte de um mesmo processo, que estão na génese do projeto museológico.

O projeto de arquitetura assenta na preservação e valorização dos espaços e edifícios existentes, tendo em conta a sua importância como testemunho e memória. O antigo estabelecimento prisional organizava-se em núcleos separados e independentes, cada um constituído por bloco de celas e pátio. A adaptação do conjunto a museu prevê a reorganização e sobreposição de percursos de diferentes naturezas, que permitem relacionar os edifícios e os pátios do núcleo central e as plataformas circundantes. Entre estes, destaca-se o próprio percurso museológico através dos edifícios e pátios da antiga prisão política e o percurso de visita aos elementos da fortaleza do século XVI, como matriz de arquitetura militar do conjunto.

 

 

Concurso público de conceção para a elaboração do projeto do Museu Nacional Resistência e Liberdade

Descrição

Relatório Final do Júri – Apreciação e Ordenação dos Trabalhos

 

 

 

O pátio da cisterna, que também foi o pátio principal da prisão, é o elemento estruturante do projeto. Pretende-se que seja um espaço vivido e frequentado por habitantes locais e visitantes, com acesso livre através do hall da receção e servido pela cafetaria.

Com entrada através da antiga porta do palácio do governador, o hall da receção é um espaço aberto para o pátio, com balcões, bengaleiro, zonas de estar, acesso às casamatas e ligação à cafetaria e à loja do museu.

Organizado em torno do pátio da cisterna, o museu tem início e conclusão no hall da recepção, atravessa os quatros blocos e os quatro pátios do núcleo central da prisão política e estrutura-se em diferentes núcleos.

Cada núcleo tem características próprias, relacionadas com o caráter dos espaços existentes. Os ambientes do percurso museológico variam entre o núcleos de celas de alta segurança, brancas, frias e despidas, e os restantes núcleos, dedicados em grande parte ao tema da resistência ao regime fascista. Estes são caracterizados por uma luz reduzida e justa, com som e silêncio controlados e materiais que procuram o máximo conforto. Outros espaços podem ser adicionados ao percurso museológico principal, nomeadamente as casamatas e os próprios pátios.

No exterior pretende-se clarificar a condição do lugar, como ilha, marcada pelo isolamento em relação ao território e à cidade. Neste sentido, é recuperado o fosso junto ao revelim de entrada, hoje ajardinado, devolvendo a presença da rocha em toda a sua extensão e intensificando o percurso de aproximação ao conjunto, sobre a ponte.