Exposição:
« 26 de fevereiro de 1976 » | Encerramento da cadeia do Forte de Peniche
Dia de feira, em Peniche, quinta-feira, é sinónimo de azáfama. Vários vendedores ambulantes espalham-se pelo Campo da Torre, alguns civis espreitam as novidades.
Intramuros vive-se a outro ritmo.
Inquietos, os « outros 97 presos » irão ser transportados! O seu destino será a cadeia de Alcoentre. Aguardam a chegada do helicóptero da Força Aérea.
Vem com toda a força para encerrar a prisão!
« Bandeira branca, portanto, a cadeia foi evacuada de todos os presos »
Hasteada pelo coronel Gaspar De Melo.
» Ao por do sol, enfim, a bandeira branca, escoltada por gaivotas, subiu ao mastro do torredo principal da fortaleza de Peniche, marcando a extinção de um sinistro presídio político ».
« 28 de Fevereiro de 1976 | A população de Peniche celebra o encerramento do forte prisional »
A manifestação convocada deve-se à iniciativa dos representantes dos sindicatos de pescadores e conserveiros, das associações recreativas locais, das comissões de moradores e outros organismos populares, das delegações do PCP, do MOP-CDE e do PPD.
Às 15 horas em frente ao forte.
« Um ex-preso do Forte, José Da Costa, entrou na fortaleza como gesto simbólico da tomada da cadeia pelo povo. (…)
Peniche festejou o encerramento da prisão, diante do portão principal da fortaleza, animada pela banda da Atouguia da Baleia pelas sirenes das fábricas e dos barcos de pesca. »
« Após a concentração, um cortejo correu as ruas da vila em ruidosa manifestação de alegria »
« O Forte de Peniche poderá com os desejos da população da vila e milhões de portugueses ser transformada logo que possível em museu do fascismo ». (Notícia do Diário de Lisboa, 28 Fevereiro, 1976)
« EM PENICHE JÁ NAO HÁ PRESOS.
EM PENICHE NUNCA MAIS HAVERÁ PRESOS
Moção apresentada pela Comissão Promotora da Manifestação anti -fascista:
« Considerando que a nossa terra tem de limpar a chaga que este forte representou (…)
Considerando que em termos locais nada justifica e nem favorece a existência de um presidio militar (…)
A população de Peniche aprovou para futuro do seu forte os seguintes princípios orientadores perfeitamente conciliáveis:
1º Não mais voltar a ser prisão;
2º Franquear as suas portas a todos os que o desejem;
3º Ser transformado no museu do fascismo que evoque aos vindouros quanto foi difícil viver e lutar num regime político que tudo violou e prostituiu;
4º Ser aproveitado como infra-estrutura de apoio ao turismo entendido como suporte dos tempos de lazer do povo trabalhador português;
5º Proibir qualquer adulteração das suas caraterísticas históricas. »
(Notícia d’A Voz do Mar, 4 de Março, 1976)
Mais de 2 mil pessoas vieram apoiar a manifestação, segundo o Jornal Avante! (4 de Março de 1976)
Referências:
Jornal O Século, Negativos 1970-1977, Reportagem sobre o encerramento definitivo da prisão de Peniche, 1976, Arquivo Nacional Torre do Tombo
Reuters (1976). Portugal: grim political prison of Peniche closed. [reportagem]. Disponível em: https://www.britishpathe.com/asset/141506/
Museu Nacional Resistência e Liberdade | Livraria
Mais informaçõesPatente na Livraria do MNRL em fevereiro de 2026
Sinopse do projeto minimal parietal
O projecto minimal parietal tem como principal objetivo exibir episódios da vida da prisão política, dos presos políticos, das suas famílias, entre outros temas relacionados com a missão do Museu, constituindo um olhar micro para temas abordados de forma global na exposição de longa duração do museu.
É uma parede expositiva, convidativa, localizada no espaço da livraria. Funde-se com o final do percurso museológico e representa mais um comprometimento do MNRL em assegurar uma oferta cultural dinâmica e diferenciadora.
O projeto minimal parietal é um programa expositivo concebido e desenvolvido pela técnica do MNRL, Joana Brito, inaugurado a 25 de Abril de 2025 e que adquire uma periocidade trimestral.