
Depuis le 27 avril 1974, date de la libération des prisonniers politiques, la Forteresse de Peniche s’est affirmée comme symbole de la Résistance et de la lutte pour la Liberté. Pour cette raison, il a été décidé de préserver l’intégrité de ce bâtiment historique, militaire et pénitentiaire, à travers un projet de muséification.
Le Conseil des Ministres, tenu à la Forteresse de Peniche le 6 mai 2017 par le XXIe Gouvernement Constitutionnel, a décidé de la création d’un Musée National, à cet endroit qui, en préservant la mémoire de 48 ans de suppression des libertés au Portugal, perpétuera une réflexion essentielle à la construction de l’avenir.da luta pela Liberdade.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/2017
Proposta do Grupo Consultivo da Fortaleza de Peniche
Criação da Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica – CICAM
Guião dos conteúdos do Museu Nacional Resistência e Liberdade – CICAM
Contributos do CITEM no âmbito da CICAM
Criação do Comité Executivo do Museu de Peniche (CEMP)
Atelier AR4, Arquitectura Lda – arquitecto coordenador, João Barros Matos
A ideia de museu materializa-se na sobreposição de três tempos: o tempo da fortaleza, o tempo da prisão política e o tempo atual, do museu, com o reconhecimento da importância da salvaguarda e conservação do conjunto no seu todo. Conservar, adaptar e construir de novo são ações complementares, parte de um mesmo processo, que estão na génese do projeto museológico.
O projeto de arquitetura assenta na preservação e valorização dos espaços e edifícios existentes, tendo em conta a sua importância como testemunho e memória. O antigo estabelecimento prisional organizava-se em núcleos separados e independentes, cada um constituído por bloco de celas e pátio. A adaptação do conjunto a museu prevê a reorganização e sobreposição de percursos de diferentes naturezas, que permitem relacionar os edifícios e os pátios do núcleo central e as plataformas circundantes. Entre estes, destaca-se o próprio percurso museológico através dos edifícios e pátios da antiga prisão política e o percurso de visita aos elementos da fortaleza do século XVI, como matriz de arquitetura militar do conjunto.

Concurso público de conceção para a elaboração do projeto do Museu Nacional Resistência e Liberdade
Relatório Final do Júri – Apreciação e Ordenação dos Trabalhos
1.ºClassificado 2.ºClassificado 3.ºClassificado
O pátio da cisterna, que também foi o pátio principal da prisão, é o elemento estruturante do projeto. Pretende-se que seja um espaço vivido e frequentado por habitantes locais e visitantes, com acesso livre através do hall da receção e servido pela cafetaria.
Com entrada através da antiga porta do palácio do governador, o hall da receção é um espaço aberto para o pátio, com balcões, bengaleiro, zonas de estar, acesso às casamatas e ligação à cafetaria e à loja do museu.
Organizado em torno do pátio da cisterna, o museu tem início e conclusão no hall da recepção, atravessa os quatros blocos e os quatro pátios do núcleo central da prisão política e estrutura-se em diferentes núcleos.
Cada núcleo tem características próprias, relacionadas com o caráter dos espaços existentes. Os ambientes do percurso museológico variam entre os núcleos de celas de alta segurança, brancas, frias e despidas, e os restantes núcleos, dedicados em grande parte ao tema da resistência ao regime fascista. Estes são caracterizados por uma luz reduzida e justa, com som e silêncio controlados e materiais que procuram o máximo conforto. Outros espaços podem ser adicionados ao percurso museológico principal, nomeadamente as casamatas e os próprios pátios.
No exterior pretende-se clarificar a condição do lugar, como ilha, marcada pelo isolamento em relação ao território e à cidade. Neste sentido, é recuperado o fosso junto ao revelim de entrada, hoje ajardinado, devolvendo a presença da rocha em toda a sua extensão e intensificando o percurso de aproximação ao conjunto, sobre a ponte.
