Mulheres Presas na Cadeia do Forte de Peniche
Exposição temporária inaugurada a 8 de março de 2026 | Dia internacional da Mulher
A Cadeia do Forte de Peniche foi um presídio político gerido pelas instituições do Estado Novo [1934-1974] para silenciar e quebrar a resistência masculina. As penas maiores dos chamados crimes contra a segurança do Estado foram aqui cumpridas, frequente e injustamente estendidas.
Esta é uma realidade histórica e social descrita e conhecida, mas há outra inexplorada: a das mulheres presas políticas na cadeia. Somente na última década é que foi possível recolher testemunhos, artigos de jornais, que, gradualmente, alteram o conhecimento sobre este espaço prisional.
No memorial aos presos políticos são exibidos 2626 nomes e apenas dois são femininos – os de Maria de Jesus e Teresa Marques. Essas mulheres foram detidas, juntamente com 12 homens, num protesto que ficou conhecido como a Revolta do Milho, em 1942. Embora no processo-crime seja referido o nome de Maria Outeirinho, implicando o envolvimento de mais uma mulher, este não consta nos documentos prisionais.
A estes dois nomes, poder-se-á talvez acrescentar o de uma anónima, que afirma ter estado presa, em 1967, em isolamento, num total de 11 meses, muito possivelmente nas celas do novo segredo, no Bloco D. O relato oral atesta mais uma reclusa. Terão sido uma prática comum as prisões sem registo? Quantas mais mulheres terão tido este tipo de tratamento no Forte de Peniche?
No pós-25 de Abril, mulheres militantes do MRPP das Caldas da Rainha foram detidas e trazidas para este cárcere. Este evento foi noticiado e relatado pelo coronel Vítor Silva Carvalho, que comandou o Forte até agosto de 1975. Sem palavras proferidas pelas próprias presas ou familiares, as suas existências são contadas pelas inscrições numa parede destas instalações prisionais.
Os apontamentos biográficos das mulheres presas no Forte de Peniche são aqui exibidos, alguns com o recurso a palavras de familiares, outros com o contexto social ou descrição do evento que as levou à detenção.
Joana Brito
Técnica do MNRL
Museu Nacional Resistência e Liberdade | Livraria